Depois do épico trabalho no PowerPoint 97, Digão continuou explorando cada detalhe do seu 486 DX2 66 MHz com a Sound Blaster AWE32. Cada dia era uma oportunidade para descobrir como fazer o computador render mais do que parecia possível. Ele gravava sons, manipulava MIDI, testava programas antigos, navegava em fóruns da época e, aos poucos, construía uma compreensão profunda do que um computador podia e não podia fazer.
Ele descobriu que o MS-DOS ainda estava presente por baixo do Windows 95 e 98, escondido, pronto para ser explorado, e cada vez que ele acessava essas camadas profundas, sentia como se conversasse diretamente com a máquina, entendendo seu funcionamento mais íntimo. Digão sabia que cada comando bem usado era um ato de criação e inteligência, não apenas uma sequência de letras e números.
O mundo de Digão não era feito apenas de softwares, mas de hardware, com toda a sua complexidade e possibilidades. Ele se encantava com placas IDE antigas, impressoras matriciais e a sensação de montar PCs com peças usadas, transformando sucata em poderosas estações de aprendizado. Para ele, o valor não estava no preço, mas na configuração e na capacidade de explorar ao máximo cada componente.
A cada passo, sua curiosidade crescia. Ele queria entender como cada computador funcionava desde os primeiros modelos, como TK 2000, MSX e outros sistemas antigos, mas sem se perder demais no passado. Para ele, o que importava não era acumular conhecimento apenas por nostalgia; era aprender para criar e experimentar no presente.
E foi nessa busca incansável que Digão desenvolveu uma filosofia própria sobre tecnologia e ética: a máquina não veio para substituir o ser humano, mas para complementá-lo, acelerando seu trabalho e expandindo suas capacidades. Ele sabia que o conhecimento podia ser perigoso nas mãos erradas, e por isso sempre manteve respeito pelo que criava e explorava.
Com o tempo, Digão também começou a compreender a importância da ciência, da curiosidade e da física quântica, não apenas como teoria abstrata, mas como uma forma de entender possibilidades. Ele refletia sobre sonhos, intuição e experiências que pareciam extraordinárias, sempre com o olhar de quem quer entender o mundo sem se perder em explicações fáceis ou dogmas.
Enquanto explorava tecnologia, Digão também descobriu os limites da sua própria mente e da máquina, percebendo que havia sempre lacunas a serem preenchidas. Mas ele encarava essas lacunas com alegria, pois sabia que cada nova descoberta era uma vitória, cada comando bem escrito, cada projeto funcionando era uma confirmação de que estava no caminho certo.
Em meio a tudo isso, ele nunca perdeu o espírito de experimentador: montar PCs com peças usadas, testar softwares antigos, criar pequenas produções multimídia, aprender a linguagem Batch, explorar MIDI e Layer3… cada conquista era motivo de orgulho e diversão, e cada dificuldade uma lição de paciência e persistência.
E assim, entre memórias de 386, 486 e trabalhos ousados no PowerPoint, Digão se tornou mais do que um usuário de computadores: ele se tornou um verdadeiro artesão da tecnologia, alguém que entende que cada máquina, cada linha de código e cada arquivo de áudio tem história, potencial e significado.
Ele olhava para seus antigos PCs e via não apenas hardware e software, mas oportunidades infinitas. Cada memória, cada disquete, cada projeto guardado no HD era uma prova de que a paixão, a criatividade e a persistência podem transformar limites em conquistas.
E mesmo que algum dia novos sistemas surgissem, computadores mais rápidos e tecnologias inimagináveis aparecessem, Digão sabia que a essência do que aprendeu, do que criou e do que descobriu, permaneceria sempre com ele — o verdadeiro legado de quem entrou no mundo da tecnologia com curiosidade, coragem e amor pelo que faz.
Continua...
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