domingo, 20 de novembro de 2005

O Anjo vampiro e a matilha de lobos-vampiros – Pt. 1

         Isso faz muito tempo, muito tempo mesmo, foi antes da rebelião dos anjos. Lembro-me como se fosse hoje, eram muitos, estavam ardendo em ódio e eu não sei porque resolveram nos atacar, eu só sabia, que me queriam vivo. Acredito que estavam em um grupo de trinta, vi suas asas brancas batendo no ar e eles descendo, me cercando, coloquei minhas garras para fora e rosnei para que vissem que eu não estava com medo. Fiquei feliz em ver meus amigos lobos chegando, todos os doze da matilha. Mas eu estava cercado e o líder dos anjos resolveu falar.
Anjo: Renda-se. Viemos buscá-lo!
Eu: Me buscar? O que querem comigo seus malditos?
Anjo: Não torne as coisas mais difíceis, renda-se e mande os lobos recuarem.
- Recue matilha! Eu gritei.
        Mesmo a matilha sendo muito corajosa, não teriam a menor chance contra aqueles anjos malditos. Até hoje não sei ao certo porque vieram atrás de mim, mesmo depois de ver suas espadas afiadas, eu quis enfrentá-los. Lutei até não poder mais, lembro-me de ter derrubado uns seis, mas o líder era muito forte, ele me derrotou, antes de desmaiar, vi que bem escondido na mata, estava um amiguinho lobo, ele ainda era um filhote, estava em fase de treinamento, para que no futuro pudesse liderar os outros, esse não era apenas um lobo-vampiro como os outros, esse possuía asas, asas negras iguais as minhas. Ele me olhava como se só bastasse eu fazer um sinal para ele vir, mas ele era muito pequeno e ele sabia que o que eu queria era que ele ficasse lá, para que não o vissem. Seu olhar era triste e me lembrou de quando eu ainda era um menino.
        Eu nasci no céu como os outros anjos, mas eu era diferente deles, minhas asas não eram brancas e meus dentes caninos eram grandes, como o de um vampiro, na verdade, era isso que eu era. E por ser especial fui banido do reino dos céus por Deus. Ele não queria alguém forte como eu por lá, e por obra do destino, mais tarde ele veio a descobrir que o traidor não seria eu e sim Lúcifer, o anjo mais belo e mais inteligente do paraíso, mas isso é uma outra história.
Quando fui banido para a terra me abriguei na floresta, e por sorte um dia a matilha cruzou o meu caminho, não era a matilha que eu conheço hoje, eram seus antecessores. Eram criaturas extremamente amistosas, eles me treinaram e de presente eu os dei a eternidade, isso mesmo, os transformei em lobos-vampiros, agora não iriam mais envelhecer, e nunca morreriam.
        Até que um dia, uma cena como esta que eu estava aconteceu. Os anjos desceram dos céus, onze dos doze da matilha foram derrotados em segundos. O líder ainda estava de pé e eu nada pude fazer, o líder os distraiu para que eu me escondesse, eles acharam que o líder também tinha morrido, mas eu sabia que pelo menos um sopro de vida ele ainda tinha e quando foram embora eu fui ao líder para ajudá-lo, mas ele não ia viver por muito tempo, ele estava sem uma pata e cheio de cortes feitos por aqueles anjos malditos. A imortalidade dada por mim a eles não era forte o suficiente para vencer as espadas dos anjos. O líder viveu o tempo suficiente para me ensinar como ser um novo líder, durante semanas levei sangue para tentar aumentar seu tempo de vida, mas ele não resistiu. Fiquei com muito ódio, pois sabia que só os anjos poderiam nos ferir, para todos os outros éramos imortais. Desde então reuni doze lobos, os transformei em lobos-vampiros e éramos a nova matilha.
        Quando acordei estava numa cela, no reino dos céus. Só não sabia por quê. Mas o lugar estava vazio, era como se eu estivesse ali caído há muito tempo. Levantei-me e vi o quão fraco eu estava, eu precisava de sangue e de um banho. Com o resto de minhas forças quebrei a parede da cela e segurando uma nuvem, planei até a floresta.
        Procurei os lobos em todos os lugares, mas não os encontrei, até que ouvi um uivo. Fui correndo em direção ao som, sabia que era a matilha, mas para minha surpresa, não era a minha matilha, esta era diferente, eram doze e como os antigos também eram lobos-vampiros, porém, esses tinham asas, como eu. Não sabia quanto tempo tinha ficado naquela cela. Esses lobos não eram nada amistosos, latiam muito alto, me cercaram e estavam prontos para me comer vivo, eu nada podia fazer, ainda estava fraco e não poderia contra todos eles. Até que ficaram em silencio, me olhando com os olhos arregalados, o líder deles veio a mim e me disse:
- Seja bem-vindo meu mestre.
Eu o olhei e me lembrei, esse era aquele filhote, mas ele já estava adulto.
- Quanto tempo amigo, você cresceu, já está adulto, mas espere, você está ficando velho, como pode um lobo-vampiro envelhecer? E os outros onde estão? Eu perguntei.
- Naquele dia não foi só você que foi capturado, a matilha inteira foi levada, só restou eu, e eu fiz exatamente o que vós ensinastes caso acontecesse algo com a matilha. Formei outra. Você ficou ausente por mais de dez, anos meu amigo, e a imortalidade que vós me deu, não foi completa, pois eu ainda era um filhote. Todos os outros têm asas como as suas, deve ser porque minha linhagem de sangue estava mais próxima da sua do que a dos outros que foram capturados. Disse ele.
        Enquanto ele falava, eu derramava lagrimas, lagrimas de sangue, pensando em como estariam os antigos. Completei o processo de imortalidade de todos eles para que eu pudesse treiná-los como fiz com a matilha antiga, mesmo triste pela matilha antiga, fiquei feliz com meus novos amigos, com asas, eles poderiam vir comigo me ajudar a trazer os antigos de volta, para que um dia pudéssemos estar todos juntos.
 

Continua.

Rodrigo Klein Mariano Canto
20/11/2005

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