Isso faz muito tempo, muito tempo mesmo, foi antes da rebelião dos anjos.
Lembro-me como se fosse hoje, eram muitos, estavam ardendo em ódio e eu não sei
porque resolveram nos atacar, eu só sabia, que me queriam vivo. Acredito que
estavam em um grupo de trinta, vi suas asas brancas batendo no ar e eles
descendo, me cercando, coloquei minhas garras para fora e rosnei para que
vissem que eu não estava com medo. Fiquei feliz em ver meus amigos lobos
chegando, todos os doze da matilha. Mas eu estava cercado e o líder dos anjos
resolveu falar.
Anjo: Renda-se. Viemos buscá-lo!
Eu: Me buscar? O que querem comigo seus malditos?
Anjo: Não torne as coisas mais difíceis, renda-se e mande os lobos recuarem.
- Recue matilha! Eu gritei.
Mesmo a matilha sendo muito
corajosa, não teriam a menor chance contra aqueles anjos malditos. Até hoje não
sei ao certo porque vieram atrás de mim, mesmo depois de ver suas espadas
afiadas, eu quis enfrentá-los. Lutei até não poder mais, lembro-me de ter
derrubado uns seis, mas o líder era muito forte, ele me derrotou, antes de
desmaiar, vi que bem escondido na mata, estava um amiguinho lobo, ele ainda era
um filhote, estava em fase de treinamento, para que no futuro pudesse liderar
os outros, esse não era apenas um lobo-vampiro como os outros, esse possuía
asas, asas negras iguais as minhas. Ele me olhava como se só bastasse eu fazer
um sinal para ele vir, mas ele era muito pequeno e ele sabia que o que eu
queria era que ele ficasse lá, para que não o vissem. Seu olhar era triste e me
lembrou de quando eu ainda era um menino.
Eu nasci no céu como os outros
anjos, mas eu era diferente deles, minhas asas não eram brancas e meus dentes
caninos eram grandes, como o de um vampiro, na verdade, era isso que eu era. E
por ser especial fui banido do reino dos céus por Deus. Ele não queria alguém
forte como eu por lá, e por obra do destino, mais tarde ele veio a descobrir
que o traidor não seria eu e sim Lúcifer, o anjo mais belo e mais inteligente
do paraíso, mas isso é uma outra história.
Quando fui banido para a terra me abriguei na floresta, e por sorte um dia a
matilha cruzou o meu caminho, não era a matilha que eu conheço hoje, eram seus
antecessores. Eram criaturas extremamente amistosas, eles me treinaram e de
presente eu os dei a eternidade, isso mesmo, os transformei em lobos-vampiros,
agora não iriam mais envelhecer, e nunca morreriam.
Até que um dia, uma cena como esta
que eu estava aconteceu. Os anjos desceram dos céus, onze dos doze da matilha
foram derrotados em segundos. O líder ainda estava de pé e eu nada pude fazer,
o líder os distraiu para que eu me escondesse, eles acharam que o líder também
tinha morrido, mas eu sabia que pelo menos um sopro de vida ele ainda tinha e
quando foram embora eu fui ao líder para ajudá-lo, mas ele não ia viver por
muito tempo, ele estava sem uma pata e cheio de cortes feitos por aqueles anjos
malditos. A imortalidade dada por mim a eles não era forte o suficiente para
vencer as espadas dos anjos. O líder viveu o tempo suficiente para me ensinar
como ser um novo líder, durante semanas levei sangue para tentar aumentar seu
tempo de vida, mas ele não resistiu. Fiquei com muito ódio, pois sabia que só
os anjos poderiam nos ferir, para todos os outros éramos imortais. Desde então
reuni doze lobos, os transformei em lobos-vampiros e éramos a nova matilha.
Quando acordei estava numa cela, no
reino dos céus. Só não sabia por quê. Mas o lugar estava vazio, era como se eu
estivesse ali caído há muito tempo. Levantei-me e vi o quão fraco eu estava, eu
precisava de sangue e de um banho. Com o resto de minhas forças quebrei a
parede da cela e segurando uma nuvem, planei até a floresta.
Procurei os lobos em todos os
lugares, mas não os encontrei, até que ouvi um uivo. Fui correndo em direção ao
som, sabia que era a matilha, mas para minha surpresa, não era a minha matilha,
esta era diferente, eram doze e como os antigos também eram lobos-vampiros,
porém, esses tinham asas, como eu. Não sabia quanto tempo tinha ficado naquela
cela. Esses lobos não eram nada amistosos, latiam muito alto, me cercaram e
estavam prontos para me comer vivo, eu nada podia fazer, ainda estava fraco e
não poderia contra todos eles. Até que ficaram em silencio, me olhando com os
olhos arregalados, o líder deles veio a mim e me disse:
- Seja bem-vindo meu mestre.
Eu o olhei e me lembrei, esse era aquele filhote, mas ele já estava adulto.
- Quanto tempo amigo, você cresceu, já está adulto, mas espere, você está
ficando velho, como pode um lobo-vampiro envelhecer? E os outros onde estão? Eu
perguntei.
- Naquele dia não foi só você que foi capturado, a matilha inteira foi levada,
só restou eu, e eu fiz exatamente o que vós ensinastes caso acontecesse algo
com a matilha. Formei outra. Você ficou ausente por mais de dez, anos meu
amigo, e a imortalidade que vós me deu, não foi completa, pois eu ainda era um
filhote. Todos os outros têm asas como as suas, deve ser porque minha linhagem
de sangue estava mais próxima da sua do que a dos outros que foram capturados.
Disse ele.
Enquanto ele falava, eu derramava
lagrimas, lagrimas de sangue, pensando em como estariam os antigos. Completei o
processo de imortalidade de todos eles para que eu pudesse treiná-los como fiz
com a matilha antiga, mesmo triste pela matilha antiga, fiquei feliz com meus
novos amigos, com asas, eles poderiam vir comigo me ajudar a trazer os antigos
de volta, para que um dia pudéssemos estar todos juntos.
Continua.
Rodrigo
Klein Mariano Canto
20/11/2005
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