Minha história com a informática começou de uma forma simples, curiosa e muito comum para quem cresceu nos anos 90: pela vontade de entender como as coisas funcionavam. Enquanto muitas pessoas apenas usavam o computador, eu sempre quis ir além — abrir, mexer, descobrir e aprender.
Tudo começou quando tive contato com um computador 386, uma máquina que hoje pode parecer limitada, mas que na época representava um verdadeiro portal para o mundo da tecnologia. Esse primeiro computador tinha 2 MB de memória RAM e um HD de 40 MB, rodando MS-DOS e utilizando monitores CGA, alguns preto-e-branco e outros verde-e-preto. Era um tempo em que cada comando precisava ser digitado manualmente, e isso acabou me ensinando algo fundamental: entender o computador de verdade, desde a base.
Foi também nessa época que vivi uma experiência marcante. Ainda jovem, acabei apagando o arquivo COMMAND.COM do sistema. O computador simplesmente não iniciava mais. Foi necessário chamar um técnico, que me explicou o processo de boot do MS-DOS. Aquilo, que poderia ter sido apenas um erro, acabou se transformando numa verdadeira aula prática que despertou ainda mais minha curiosidade.
Meu primeiro computador veio de uma troca curiosa e que marcou minha vida: troquei um Mega Drive 3 por um PC 386. Naquele tempo não existiam plataformas como Mercado Livre ou OLX. As negociações aconteciam através de anúncios de jornal, como o famoso Balcão. Foi uma decisão que mudou meu caminho. Enquanto muitos estavam focados apenas nos videogames, eu comecei a mergulhar cada vez mais no universo dos computadores.
Com o tempo fui tendo contato com outras máquinas, como os 486, explorando sistemas, programas e jogos clássicos — um dos que mais me marcou foi Prince of Persia. Cada computador que passava pelas minhas mãos era uma oportunidade de aprendizado. Eu observava tudo: padrões de funcionamento, erros, soluções, peças, configurações.
Essa curiosidade acabou se transformando naturalmente em profissão. Desde 1998, venho trabalhando com informática, ajudando pessoas e empresas a resolver problemas, recuperar dados, configurar sistemas e manter seus computadores funcionando corretamente.
Ao longo dos anos, desenvolvi um estilo próprio de trabalho: muito observador, meticuloso e perfeccionista. Antes de qualquer solução, procuro entender exatamente o que aconteceu com a máquina. Muitas vezes começo pelo modo de segurança, analisando o que o usuário fez, verificando memória, vídeo, drivers e atualizações do sistema. Esse cuidado evita diagnósticos errados e garante um trabalho mais preciso.
Também sempre mantive um princípio importante: trabalhar de forma correta e profissional. Hoje possuo CNPJ desde 2017, emito nota fiscal e trabalho apenas com software original, mesmo quando isso significa recusar serviços que envolvam pirataria. Para mim, profissionalismo e ética caminham juntos.
Outro hábito que sempre tive foi a preocupação com backup e preservação de dados. Muito antes da era das redes sociais e da nuvem, eu já mantinha cópias de segurança dos meus arquivos. Isso acabou se tornando também uma parte importante do meu trabalho, ajudando clientes a proteger informações importantes.
Além do trabalho técnico, sempre tive o costume de estudar psicologia como hobby, algo que me ajuda a entender melhor o comportamento das pessoas diante da tecnologia — especialmente quando algo dá errado com seus computadores.
Hoje, depois de décadas na área, continuo com a mesma curiosidade que tinha lá no início. A tecnologia mudou muito desde os tempos do 386 com MS-DOS, mas a essência continua a mesma: entender, resolver e aprender sempre algo novo.
Mais do que uma profissão, a informática acabou se tornando parte da minha própria história de vida — uma jornada que começou com um simples computador antigo e que continua até hoje, movida pela mesma paixão que começou lá atrás. 💻
Nenhum comentário:
Postar um comentário