Houve um tempo em que tudo o que a gente queria era ganhar um "scrap", estar entre os "mais legais" da comunidade, ou receber um depoimento sincero no Orkut. Era 2004, e a internet ainda parecia um lugar mágico, quase inocente. O Orkut nos deu senso de pertencimento, com suas comunidades engraçadas e os perfis cheios de glitter, gifs e corações. Ali, tudo era sobre se expressar — até demais, talvez.
Já em 2009, o Facebook começou a dominar. A experiência era diferente. Mais limpo, mais sóbrio e menos colorido, ele trazia uma pegada mais “adulta”. Sem depoimentos nem “quem viu seu perfil”, mas com um feed de notícias que começou a nos mostrar o mundo de forma contínua e viciante. O Facebook daquela época ainda era sobre amigos, sobre compartilhar momentos e jogar FarmVille ou Mafia Wars. Era o auge dos "curtir", dos convites de eventos e das fotos com filtros do próprio celular.
Agora, em 2025, o Facebook é uma plataforma muito mais complexa e, para muitos, quase irreconhecível. Com inteligência artificial integrada, um foco cada vez maior em vídeos curtos e lives, e uma presença forte no comércio digital, ele deixou de ser apenas uma rede social. Tornou-se uma ferramenta multifuncional — de marketing, negócios, entretenimento e até de busca. A linha entre o pessoal e o profissional se apagou. Amigos viraram “seguidores” e comunidades deram espaço a grupos com algoritmos que decidem o que você vê.
O que mudou? Tudo. E, ao mesmo tempo, algo essencial permaneceu: o desejo humano de se conectar. Seja nos scraps do Orkut, nos posts do feed de 2009 ou nas lives de 2025, a gente só quer ser visto, ouvido e lembrado. A forma muda, mas o coração continua pulsando igual... só que agora, com mais filtros e menos depoimentos sinceros.
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