terça-feira, 11 de julho de 2006

O Anjo vampiro e a matilha de lobos-vampiros – Pt. 3

 

Dez anos depois...

        Construímos uma vila, não era grande, mas tinha espaço suficiente para todos nós, não lembro quantos éramos, talvez quarenta Anjos Vampiros e cem lobos-vampiros. Enquanto dormíamos os lobos-vampiros ficavam de prontidão tomando conta do lugar, como lacaios fiéis. De noite caçávamos criaturas das redondezas para obter sangue, afinal, era este o nosso alimento. Tudo ia bem, nenhum perigo eminente. O problema foi na ultima vez que fomos caçar, estava eu, dois Anjos Vampiros e dez lobos-vampiros. Achamos uma criatura que nunca havíamos visto antes, era um lobo que andava em duas patas, tinha uns três metros de altura, suas presas eram enormes, e tinha mãos como nós Anjos Vampiros. Resolvemos recuar, afinal nunca tínhamos visto tal criatura em nossa floresta, mas para nossa surpresa, a fera estava acordada, era como se estivesse a nossa espera, ele se levantou e uivou. Mas seu uivo era estranho, era grosso, eu nunca tinha ouvido um lobo uivar dessa forma, mas funcionou, em segundos já havia mais três iguais a ele. Eles não pareciam querer conversa, estavam nos rodeando e tudo indicava que iriam nos atacar, eu e meus amigos ficamos apostos prontos para nos defender.
        Mal pude ver quando um deles simplesmente arrancou a cabeça de um de nossos amigos lobos-vampiros. Eles eram realmente muito fortes, os outros Anjos Vampiros covardemente correram. Eu coloquei minhas garras para fora e fiquei em guarda. Dava pra ver o medo nos olhos de cada lobo-vampiro, afinal, com apenas um golpe um havia sido aniquilado.
        Durante esses anos aprendi muitas coisas, eu era o único Anjo Vampiro que conseguia conversar telepaticamente com qualquer lobo-vampiro. Disse a todos que se separassem e fugissem, para que fossem até a vila. Mas quando me dei por si estavam todos deitados, mortos, então era isso, só havia sobrado eu e cinco monstros dispostos a me devorar. Então resolvi lutar, então quatros dos monstros recuaram para que a luta fosse mano-a-mano com aquele primeiro. Dei tudo de mim, nunca havia lutado com tanta garra, eu estava muito mais forte do que da vez que enfrentei Lúcifer, tinha certeza da vitória, mas eu estava errado, aquele monstro era muito mais forte do que eu fui massacrado e humilhado, eu estava à beira da morte. Minhas garras quebraram ao ter contato com a pele dura do adversário, meus dentes doíam, levei a maior surra da minha vida.

        Estava claro que eu havia sido derrotado, mas mesmo assim queria continuar a lutar, mas os outros se aproximaram e me imobilizaram. Então o grandão falou:
- Por ora, pouparei a sua vida Anjo, pois você está sozinho, e não é palio para nenhum de nós, fale sobre hoje para iguais a você e diga-os que têm duas opções. Ou vão embora da floresta ou morrem.
        Então me soltaram, eu mal conseguia andar, muito menos voar, nem falar eu não estava conseguindo, até que apaguei. Acordei na cama, com mamãe cuidando de meus ferimentos, comecei a contar a história, mas ela me interrompeu:
- Eu já sei!
- Mas como você já sabe?
- Você dormiu por quase um ano, Samuel, o líder substituto disse para eu cuidar de você para que um dia você derrotasse aqueles lobisomens.
- Lobisomens? O que são Lobisomens?
- São aquelas criaturas que derrotaram todos os Anjos Vampiros e a matilha.
- Você está me dizendo que todos pereceram? Havia mais de cem Lobos-vampiros! Como não puderam derrotá-los?
- Eles eram muito fortes meu filho, bastou aqueles quatro para derrotar todos nós, sei que está com raiva agora, eu também estou! Mas agora é hora de treinar, para um dia nos vingarmos.
        Treinamos por mais de cinqüenta anos e neste período não vimos nenhum daqueles monstros, construímos um cemitério, enterramos todos os pedaços de cada um de nossos amigos, todos os dias, eu ia até lá olhar, era uma área muito grande, éramos uma família! Eu estava com sede de vingança. Estava mais forte do que nunca, e disposto a morrer lutando se fosse necessário.

        Procuramos por toda floresta, mas não havia nenhum sinal de lobisomem algum. Até que nos deparamos com a pior coisa que poderíamos encontrar em todo o mundo. Algo que eu conhecia como lenda. A mais terrível e cruel das criaturas que eu já tinha ouvido falar, o Lightandark. Ele era metade Anjo, metade Demônio. Os sábios Contam que a princípio ele era um anjo, mas sua obsessão pelo mau era tão forte que matou até seus pais, e que um dia antes de assassinar Elidir, um anjo, este lançou uma maldição que o deixou com esta forma, então foi banido do paraíso e foi viver no inferno, mas parece que nem lá conseguiram domá-lo, muitos Demônios ousados e poderosos pereceram graças a esta criatura.

- Derrotei o Diabo! Sou o novo líder do Inferno, agora irei até o paraíso e aniquilarei o criador! Ele disse.
Rapidamente ele voou bem alto, parecia estar determinado a derrotar Deus. Isso seria possível? Um ditador como novo Rei do universo? Não que eu goste da administração do Arquiteto, mas ele não é tão cruel. Nós tínhamos que detê-lo. Mas como?
Comecei a ouvir pedidos de socorro, fomos até oeste para ver o que estava acontecendo e nos deparamos com um anjo, desesperado com uma Anja morta em seus braços. E então ele disse:

- Foi ele! Lightandark! Aquele maldito, nós estamos sendo massacrados, sei que você não gosta que diga seu nome Anjo Vampiro, por isso não direi, conheço a sua história, sei que você foi expulso do paraíso, nós anjos fomos injustos com você, por favor, em nome de todos os meus irmãos, me perdoe. Ajude-nos Anjo Vampiro! Só você pode deter Lightandark!
- Por que seu Deus não faz isso? Acha que é assim? Não sabes o quanto sofri nas mãos de vocês, e porque está tão com esta Anja morta, a conhece por acaso? Vamos, me dê um único motivo para que eu pense em ajudá-los.
- Não Anjo Vampiro, esta... Esta é minha mãe. Por favor, ajude-nos. És nossa última esperança.
- Me diga onde ele está, honrarei a morte de sua progenitora e pela primeira vez, defenderei o reino dos céus.
- Ora, ora, ora, acha que pode me derrotar? Como pode achar que um patético Anjo Vampiro pode contra mim, o todo poderoso? Olhe para mim!
        Vi que mamãe iria pegá-lo por traz, então fingi prestar atenção na conversa fiada dele, mas fiquei pasmo quando vi um incrível Raio da Morte saindo de sua mão e acertando em cheio seu peito e então ela caiu. Com apenas um golpe ele aniquilou mamãe. Eu a conhecia a pouco tempo mas gostava muito dela, lembro que quando a conheci ela era muito mais poderosa do que eu, isso me abalou bastante. Mas não podia entregar a luta, talvez se eu ganhasse o Arquiteto poderia revivê-la.
Mostrei meus dentes, coloquei minhas garras para fora, e o ataquei com todas as minhas forças. Ele era muito forte, mas fiquei surpreso, pois estava lutando num nível mais alto do que ele, eu estava vencendo, até que ele me empurrou e então lançou contra mim o mesmo raio verde que usou em mamãe, o Raio da Morte. Esse seria meu fim. Mas o raio não me acertou! Eu não podia acreditar, um lobo-vampiro ainda estava vivo e parou o raio com seu próprio corpo, pulei em cima de Lightandark e o derrubei. O peguei pelo pescoço e disse:
- Você matou gente inocente, a mãe daquele Anjo, a minha, e Deus sabe quantos mais você aniquilou. Agora irei matá-lo.
        Nisso o Criador desceu com um exercito enorme de Anjos, pela primeira vez vi sua face, eu não sabia mais o que pensar, joguei Lightandark aos seus pés e disse:
- Que se faça a sua vontade arquiteto.
        Ele olhou para Anja morta e ela estava viva novamente, o mesmo em relação a mamãe, então eu disse:
- Obrigado.
- Não precisa agradecer Anjo Vampiro, trarei todos os Anjos Vampiros e Lobos-vampiros de volta, essa floresta é sua por direito, e quando quiser, pode regressar ao reino dos Céus, és bem vindo aqui. Nenhum outro Anjo irá tripudiar de você e quanto ao que você está pensando agora. A resposta é não! Quem te expulsou do paraíso foi Lúcifer, se passando por mim, que bom que você pôde derrotá-lo. E então o que me diz?
- Se você vai trazer de volta os meus amigos então estou de acordo, mas como Mestre, sabe que ainda temos muito que conversar.
- E como meu filho, sabe que pode me procurar quando quiser.
- Então... Que assim seja!

 

FIM

Rodrigo Klein Mariano Canto
11/07/2006

 

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