No silêncio antes do chute,
existe um homem sozinho.
Não veste capa,
não corre para os aplausos,
mas carrega nas mãos
o peso do destino.
Ser goleiro é diferente.
É cair sem garantia de levantar bonito,
é errar diante de todos
e mesmo assim voltar para a meta
com a cabeça erguida.
Enquanto muitos sonham com o gol,
eu aprendi a amar a defesa.
Aprendi que impedir lágrimas
também é uma forma de glória.
Cada marca no gramado,
cada luva rasgada,
cada mergulho na chuva
conta uma história que poucos entendem.
Porque o goleiro vive entre o heroísmo
e a culpa.
Entre o milagre
e o silêncio.
Mas existe orgulho nisso.
Orgulho em proteger,
em resistir,
em ser o último homem de pé
quando o mundo inteiro parece desabar.
E quando a bola vem rápida, cruel,
eu não vejo medo.
Vejo desafio.
Pois antes de ser goleiro,
é preciso ter coragem.

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